RELATÓRIO DO SEMINÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA COM O SEMI-ÁRIDO/
Cacimbinhas- Alagoas/
REALIZAÇÃO:
CÁRITAS DIOCESANA – REGIÃO NO II
PALMEIRA DOS ÍNDIOS – AL /
AGOSTO – 2009/
DATA: 18/08/09/
LOCAL: Escola Municipal de Cacimbinhas/
PARTICIPANTES: Professores, Diretores e Coordenadores atuantes de escolas da rede municipal de Cacimbinhas./
EDUCADORAS: Cristianlex Soares dos Santos/
Jeane Vieira da Silva/
9. AVALIAÇÃO
Em um processo avaliativo é preciso ir além de uma avaliação de conteúdos, mas sim trabalhar atitudes e valores, e fundamentalmente o desenvolvimento da pessoa humana. Além de questões importantes que estão ao alcance de todos como:
• Avaliar a partir do processo formativo e não eliminatório;
• Dispor de instrumentos orientadores pela SEE;
• Orientar os alunos para realização de projetos de intervenção na comunidade;
• Auto-avaliação do aluno.
10. ONDE A EDUCAÇÃO DO CAMPO JÁ ACONTECE? /
Nos municípios de Ouro Branco, Pão de Açúcar, Estrela de Alagoas e Igaci pode-se constatar uma prática de educação do campo bastante efetiva, apesar de ainda estarem num processo de aprendizado, mas podem apresentar resultados bastante significantes em relação ao processo de ensino aprendizagem x desenvolvimento sustentável.
11. QUE RESULTADOS SÃO EVIDENCIADOS?/
• Alunos pesquisando e compreendendo fatores sócias que interferem no cotidiano de sua comunidade, seu município, seu Estado e seu País;
• Comunidade refletindo sobre as problemáticas socioeconômicas e culturais de sua comunidade;
• Parcerias constituídas com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável local a partir da educação;
• Políticas voltadas para a formação de professores do campo;/
12. ORGANIZAÇÃOES QUE SE MOBILIZAM PELA EDUCAÇÃO DO CAMPO EM ALAGOAS
a. Fórum Estadual Permanente de Educação do Campo – FEPEC;
b. Gerência Estadual de Educação do Campo – GEDUC;
c. Rede de Educação Contextualizada do Agreste e Semi-Árido – RECASA;
d. Colegiado Desenvolvimento Territorial – CODETER;
e. Secretaria de Desenvolvimento Territorial – SDT;
f. Federação dos Trabalhadores da Agricultura – FETAG;
g. Cáritas Diocesana;
13. EDUCAÇÃO DO CAMPO X ESCOLA ATIVA/
A precariedade da escola oferecida às populações do campo de apresentam de forma mais visível nas escolas com classes multisseriadas, uma vez que estas constituem a maioria das escolas do campo. O censo escolar 2006 apontou a existência de cerca de 50 mil estabelecimentos de ensino nas áreas rurais com organização exclusivamente multisseriada, com matrícula superior a 1 milhão de estudantes, configurando uma urgente necessidade de apoio técnico e financeiro por parte da união do estado.
A implementação da estratégia metodológica Escola Ativa no Brasil ocorreu no ano de 1997, com assistência técnica e financeira do Projeto Nordeste/ MEC, tendo como objetivo aumentar o nível de aprendizagem dos educandos.
A Escola Ativa, então, a partir de 1999 passou a fazer parte das ações do Programa FUNDESCOLA/
14. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ALAGOAS. Caderno Temático I – Referencial Pedagógico para as Escolas do Campo de Alagoas. Secretaria Executiva de Educação. Coordenadoria de Educação. Programa de Ensino Fundamental. Projeto de Educação Rural. Maceió, 2006.
ALAGOAS – Plano Estadual de Educação – 2006
Brasil – LDB – Lei de Diretrizes e Bases da educação 9.394/96;
Brasil - Plano Nacional de Educação. Proposta do Executivo ao Congresso Nacional MEC/INEP, 1998.
Brasil. Ministério da educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Projeto Base – Brasília: SECAD/ME, 2008
Caderno Multidisciplinar – Educação e Contexto do Semi-árido brasileiro. V. 2 ( 2006 ) Juazeiro: Selo Editorial RESAB, 2006.
Diretrizes Operacionais para educação Básica no Campo. Resolução N.1. Abril/2002
Educação para a convivência com o semi-árido: reencantando a educação com base nas experiências de Canudos, Uauá e Curaçá/organização Ivania Paula Freitas de Souza, Edmerson dos Santos Reis – São Paulo: Peirópoilis, 2003
Escola rural: uma experiência uma proposta. / Francisca Maria Carneiro Baptista e Naidison Quintella Baptista (organizadores), - Feira de Santana (Ba): MOC/ UEFS/Prefeituras Municipais de Feira de Retirolândia, santa Luz, Santo Estevão e Valente, 1999.
Moura, Abdalaziz de, 1942 – Princípios e fundamentos da proposta educacional de apoio ao desenvolvimento sustentável – PEADS: uma proposta quem revoluciona o papel da escola diante das pessoas, da sociedade e do mundo / Abdalaziz de Moura – Glória de Goitá, PE: Serviço de Tecnologia Alternativa, 2003.
Este material gerou muitas discussões envolvendo os participantes pois tudo que era tratado tinha coerência com as práticas vivenciadas em suas escolas..
Teve-se um intervalo para almoço e retornando às atividades os participantes dividiram-se em 04 grupos para aprofundar os estudo em 04 temas específicos:
• Currículo Contextualizado
• Recursos Didáticos e Pedagógicos para Educação Contextualizada e do Campo
• Avaliação na Educação Contextualizada e do Campo
• Gestão e Planejamento na Educação Contextualizada
Para provocar o debate no grupo foram sugeridas 04 perguntas orientadoras:
1. O que o grupo compreendeu a partir deste estudo?
2. O que este material faz referência às praticas já realizadas em sua escola?
3. O que este texto pode contribuir para prática pedagógica da equipe de sua escola?
4. Como o grupo compreende a Educação do Campo e Contextualizada como um processo de Desenvolvimento Sustentável Local?
Após o estudo em grupo os participantes fizeram suas apresentações e houve uma inteiração com os demais participantes a partir de cada tema discutido.
Resultado dos trabalhos em grupo:
Grupo 01:
• Reorganização curricular que contemple a realidade do município. A realidade das comunidades como prática pedagógica;
• Criação efetiva dos conselhos
• Para que os pais possam participar da vida da escola
• Formação dos professores em educação do campo
• Fazer juntos, sem imposição e em parceria com a escola ativa e com os materiais da RESAB./
Grupo 02:
• Valorização do conhecimento sobre o campo: professor, aluno e comunidade
• Valorizar os conhecimentos do homem do campo. Esses conhecimentos que eles descobriram observando, e a ciência do saber daquilo que o homem do campo já sabe na prática.
• Existe um começo, trabalhamos com projetos, como o meio ambiente em que vivemos, o folclore, as festas juninas, entre outros. Mas ainda tem muito a ser feito.
• Valorizar o crescimento profissional e pessoal da equipe
• Valorização e conscientização do agricultor, levando em conta a importância de seu crescimento./
Grupo 03:
Entendemos que é necessário que o educador deve ir além dos conteúdos trabalhados, incluindo atitudes e valores, o desenvolvimento da pessoa humana,levar o educando a produzir conhecimentos, criando e formando opiniões, investigando a realidade.
Só a nossa sensibilidade pode detectar as potencialidades e limitações do aluno. Provocar o aluno a aprender. O professor deve também se auto-avaliar./
Grupo 04:
A pesquisa é apontada como um instrumento para elaboração e reelaboração do pensamento e raciocínio, sem esse instrumento fica uma cópia da cópia.
Com a finalização das trabalhos os participantes fizeram a avaliação individual totalizando 36 avaliações onde obteve-se o seguinte resultado /
AVALIAÇÃO TÉCNICA:
Durante a realização do seminário foi possível observar que tudo parecia novo para os participantes que interagiram não de uma forma muito satisfatória mais coerente com a situação, já que era o primeiro momento de contato com esta nova temática. A secretaria de educação pareceu estar segura de que realmente deseja adotar a proposta, mas que precisa de ajuda, pois não tem experiência na área, para isso deixou expresso o desejo de continuar a parceria com a Cáritas através do Projeto Raízes.
Em fim, concluímos que vale a pena continuar investindo e quem dera que em outros municípios tivesse parceiros que provocassem a implantação desta proposta nas redes de ensino, mas é preciso ter cuidado para não deixar cair no esquecimento e depois então retomar, faz-se necessário continuar urgentemente investindo na formação continuada para esses educadores participantes dando condições para que os mesmos sintam-se motivados a desenvolver a proposta em suas escolas.
Cacimbinhas- Alagoas/
REALIZAÇÃO:
CÁRITAS DIOCESANA – REGIÃO NO II
PALMEIRA DOS ÍNDIOS – AL /
AGOSTO – 2009/
DATA: 18/08/09/
LOCAL: Escola Municipal de Cacimbinhas/
PARTICIPANTES: Professores, Diretores e Coordenadores atuantes de escolas da rede municipal de Cacimbinhas./
EDUCADORAS: Cristianlex Soares dos Santos/
Jeane Vieira da Silva/
O seminário teve início ás 10h00 com a acolhida aos participantes e composição da mesa conduzida pelo representante da secretaria de educação Sr. Manoel, a mesma foi composta por representantes da secretaria de educação, direção e equipe técnica da Cáritas e educadoras da RECASA – Rede de Educação Contextualizada do Agreste e Semi-Árido.
Neste momento a presidente da Cáritas Sra. Rita fez uma breve apresentação do Projeto Raízes que tem como prioridade a implantação de alternativas de convivência com o semi-árido a partir de técnicas alternativas e entre outras metas destaca-se no momento a Educação Contextualizada que tem seu primeiro momento na realização deste 1º. Seminário de sensibilização.
Após partilha de um saboroso lanche o grupo volta para o auditório onde foram conduzidos a cantar a música “Não vou sair do campo pra poder ir para escola”, seguindo com a apresentação da RECASA feita pela educadora Jeane Vieira.
A apresentação da rede é importante no sentido de que os participantes compreendam que o seminário não surgiu somente a partir de uma demanda momentânea, mas que tudo foi construído a partir de um processo histórico que envolveu e envolve muita luta e resistência de educadores e organizações que lutam por uma educação coerente com as especificidades do semi-árido.
O 2º. momento deste encontro foi a apresentação e discussão dos princípios e fundamentos da educação do campo, esta reflexão foi feita pela educadora Cristianlex Soares que buscou envolver todos os participantes no que refere-se a cada tema trabalhado já que são eles “educadores” que vivenciam na pratica cotidiana as dificuldades e potencialidades de seus alunos e alunas./
Neste momento a presidente da Cáritas Sra. Rita fez uma breve apresentação do Projeto Raízes que tem como prioridade a implantação de alternativas de convivência com o semi-árido a partir de técnicas alternativas e entre outras metas destaca-se no momento a Educação Contextualizada que tem seu primeiro momento na realização deste 1º. Seminário de sensibilização.
Após partilha de um saboroso lanche o grupo volta para o auditório onde foram conduzidos a cantar a música “Não vou sair do campo pra poder ir para escola”, seguindo com a apresentação da RECASA feita pela educadora Jeane Vieira.
A apresentação da rede é importante no sentido de que os participantes compreendam que o seminário não surgiu somente a partir de uma demanda momentânea, mas que tudo foi construído a partir de um processo histórico que envolveu e envolve muita luta e resistência de educadores e organizações que lutam por uma educação coerente com as especificidades do semi-árido.
O 2º. momento deste encontro foi a apresentação e discussão dos princípios e fundamentos da educação do campo, esta reflexão foi feita pela educadora Cristianlex Soares que buscou envolver todos os participantes no que refere-se a cada tema trabalhado já que são eles “educadores” que vivenciam na pratica cotidiana as dificuldades e potencialidades de seus alunos e alunas./
MATERIAL APRESENTADO/
PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO DO CAMPO/
1. O QUE É EDUCAÇÃO DO CAMPO?
É o modelo de educação que se interliga com as raízes da população rural num projeto de desenvolvimento sustentável. Esta iniciativa partiu da luta de movimentos sociais que primavam por uma educação que retratasse a realidade de vida da população rural.
A educação do campo promove entre alunos, educadores e comunidades o aprofundamento do conhecimento de sua região, seu povo, suas plantas, seus animais, se clima. Os temas pertinentes à região fazem parte dos materiais didáticos e das aulas de português, matemática, história, geografia, ciências, artes, educação física e tudo mais que compuser no currículo escolar.
Ao conhecer melhor o lugar em que vive, começando por sua própria família, escola, comunidade e natureza, cada um aprende a conviver melhor com as potencialidades e os desafios do semi-árido, encontrando soluções para melhorar suas condições de vida e todos que estão ao seu redor./
2. COMO SURGIU A EDUCAÇÃO NO CAMPO?
Surgiu a partir de 2001 através da Câmara de Educação Básica, com o objetivo de resgatar o cumprimento do artigo 28 da LDB, que propõe uma adequação das leis educacionais ao campo.
A CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura – articulou e coordenou um processo de discussão e proposição com as confederações, sindicatos e entidades parceiras como: MOC, SERTA, UNB, IRPAA, entre outros. Tendo por finalidade juntas construírem uma prática efetiva de educação do campo para o país. /
3. EM QUE SE FUNDAMENTA A EDUCAÇÃO DO CAMPO?
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB n.º 9.397/96 , artigo 28;
• Diretrizes Operacionais para Educação Básica no Campo através da resolução N.º 01 de 03 de Abril de 2002 – CNE;
• Plano Estadual de Educação;
• Os quatro pilares da educação segundo a Unesco: saber conhecer, aprender a aprender, aprender a ser e aprender a conviver;
• Pedagogia de Paulo Freire;/
4. QUAL A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS DO CAMPO?
A escola precisa contribuir para construção de uma sociedade sustentável fazendo -se necessário:
- respeitar os saberes técnicos, humanos e ambientais.
- Fortalecer novos valores ( sensibilidade consigo e com os outros )
- Valorizar os saberes de diferentes sujeitos.
- Precisa estar inserida na realidade rural, nos saberes da comunidade e nos movimentos sociais./
5. A IMPORTÂNCIA DAS PARCERIAS
Na educação do campo ou em qualquer outro programa de educação a participação das parcerias são sempre muito importantes, no sentido de contribuir com a construção coletiva de um novo modelo de comunidade, onde a escola não tem condições de assumir sozinha este papel. É preciso interagir junto aos demais setores da gestão pública, com as organizações da sociedade civil, com os movimentos etc. Algumas sugestões são importantes para formalização de parcerias na proposta de educação no campo:
• Formação de grupo de estudo sobre temas relevantes ao desenvolvimento sustentável local;
• Envolvimento dos diversos seguimento da população local;
• Elaboração de um plano de desenvolvimento de metas para a educação do campo; /
6. RECURSOS DIDÁTICOS PEDAGÓGICOS X METODOLOGIA
O como fazer (metodologia) também deve ser adequado à realidade do campo, resgatando os materiais disponíveis no meio ambiente, conhecimentos que os pais, os estudantes, os técnicos, as lideranças da comunidade possuem sobre diferentes temáticas a serem trabalhadas. Nesse processo professorado não é o único a ter o conhecimento, embora tenha um papel fundamental na aprendizagem.
Essa metodologia resgata a riqueza das experiências que vem se desenvolvendo na área rural, entre esta destacamos alguns passos que têm dado resultado na efetivação da educação do campo:
1. Escolha coletiva do tema que será abordado durante o período determinado, bem como o público alvo;
2. Estabelecimento de prazo entre todos os envolvidos;
3. Mobilização junto à comunidade;
4. Orientações aos alunos para a pesquisa de campo;
5. Sistematização dos dados coletados;
6. Desdobramento interdisciplinar das informações coletadas;
7. Apresentação dos resultados para a comunidade;
8. Participação da comunidade para intervir no processo de transformação;
9. Avaliação do processo envolvendo todos os atores;
10. Definição de Novas metas para a escola;/
7. CURRÍCULO CONTEXTUALIZADO
Os temas a serem trabalhados na escola devem estar ligados ao mundo do trabalho, ao desenvolvimento no campo. Assim, teremos conteúdos gerais (português, matemática, geografia, ciências etc), que todos os estudantes aprendem em qualquer lugar do Brasil e conteúdos específicos de acordo com as características regionais, locais, econômicas e culturais da comunidade onde a escola está inserida.
• Resgate histórico da pessoa, família e comunidade;
• Estudo sobre a cultura e relações étnico raciais;
• Questões do trabalho e sustentabilidade a partir da produção campesina;
• Política públicas para o campo;
• Legislação brasileira sobre o ensino;
• Alimentação e soberania alimentar a partir dos princípios da agroecologia;
• Moradia e Transporte;
• História do campisenato;
• Organizações sociais: seu papel e importância;
• Brincadeiras, danças e outras manifestações populares no estudo de disciplinas afins;
• Cidadania X democracia;
• Elementos do meio ambiente;
• Técnicas agrícolas, Fauna e flora;
• Captação de recursos hídricos; /
8. GESTÃO DA ESCOLA DO CAMPO
Os pais, as mães, a comunidade e os movimentos sociais têm o direito assegurado de participar da discussão do funcionamento da escola, na proposta pedagógica e na discussão do uso dos recursos financeiros e a sua aplicação. Para isso, existe alguns mecanismos já conhecidos pela comunidade:
• Conselho municipal de educação;
• Conselho escolar;
• Unidade executora;
• Conselho da merenda;
• Conferências de educação;
• Elaboração e efetivação do Plano Municipal de Educação – PME. /
PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO DO CAMPO/
1. O QUE É EDUCAÇÃO DO CAMPO?
É o modelo de educação que se interliga com as raízes da população rural num projeto de desenvolvimento sustentável. Esta iniciativa partiu da luta de movimentos sociais que primavam por uma educação que retratasse a realidade de vida da população rural.
A educação do campo promove entre alunos, educadores e comunidades o aprofundamento do conhecimento de sua região, seu povo, suas plantas, seus animais, se clima. Os temas pertinentes à região fazem parte dos materiais didáticos e das aulas de português, matemática, história, geografia, ciências, artes, educação física e tudo mais que compuser no currículo escolar.
Ao conhecer melhor o lugar em que vive, começando por sua própria família, escola, comunidade e natureza, cada um aprende a conviver melhor com as potencialidades e os desafios do semi-árido, encontrando soluções para melhorar suas condições de vida e todos que estão ao seu redor./
2. COMO SURGIU A EDUCAÇÃO NO CAMPO?
Surgiu a partir de 2001 através da Câmara de Educação Básica, com o objetivo de resgatar o cumprimento do artigo 28 da LDB, que propõe uma adequação das leis educacionais ao campo.
A CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura – articulou e coordenou um processo de discussão e proposição com as confederações, sindicatos e entidades parceiras como: MOC, SERTA, UNB, IRPAA, entre outros. Tendo por finalidade juntas construírem uma prática efetiva de educação do campo para o país. /
3. EM QUE SE FUNDAMENTA A EDUCAÇÃO DO CAMPO?
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB n.º 9.397/96 , artigo 28;
• Diretrizes Operacionais para Educação Básica no Campo através da resolução N.º 01 de 03 de Abril de 2002 – CNE;
• Plano Estadual de Educação;
• Os quatro pilares da educação segundo a Unesco: saber conhecer, aprender a aprender, aprender a ser e aprender a conviver;
• Pedagogia de Paulo Freire;/
4. QUAL A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS DO CAMPO?
A escola precisa contribuir para construção de uma sociedade sustentável fazendo -se necessário:
- respeitar os saberes técnicos, humanos e ambientais.
- Fortalecer novos valores ( sensibilidade consigo e com os outros )
- Valorizar os saberes de diferentes sujeitos.
- Precisa estar inserida na realidade rural, nos saberes da comunidade e nos movimentos sociais./
5. A IMPORTÂNCIA DAS PARCERIAS
Na educação do campo ou em qualquer outro programa de educação a participação das parcerias são sempre muito importantes, no sentido de contribuir com a construção coletiva de um novo modelo de comunidade, onde a escola não tem condições de assumir sozinha este papel. É preciso interagir junto aos demais setores da gestão pública, com as organizações da sociedade civil, com os movimentos etc. Algumas sugestões são importantes para formalização de parcerias na proposta de educação no campo:
• Formação de grupo de estudo sobre temas relevantes ao desenvolvimento sustentável local;
• Envolvimento dos diversos seguimento da população local;
• Elaboração de um plano de desenvolvimento de metas para a educação do campo; /
6. RECURSOS DIDÁTICOS PEDAGÓGICOS X METODOLOGIA
O como fazer (metodologia) também deve ser adequado à realidade do campo, resgatando os materiais disponíveis no meio ambiente, conhecimentos que os pais, os estudantes, os técnicos, as lideranças da comunidade possuem sobre diferentes temáticas a serem trabalhadas. Nesse processo professorado não é o único a ter o conhecimento, embora tenha um papel fundamental na aprendizagem.
Essa metodologia resgata a riqueza das experiências que vem se desenvolvendo na área rural, entre esta destacamos alguns passos que têm dado resultado na efetivação da educação do campo:
1. Escolha coletiva do tema que será abordado durante o período determinado, bem como o público alvo;
2. Estabelecimento de prazo entre todos os envolvidos;
3. Mobilização junto à comunidade;
4. Orientações aos alunos para a pesquisa de campo;
5. Sistematização dos dados coletados;
6. Desdobramento interdisciplinar das informações coletadas;
7. Apresentação dos resultados para a comunidade;
8. Participação da comunidade para intervir no processo de transformação;
9. Avaliação do processo envolvendo todos os atores;
10. Definição de Novas metas para a escola;/
7. CURRÍCULO CONTEXTUALIZADO
Os temas a serem trabalhados na escola devem estar ligados ao mundo do trabalho, ao desenvolvimento no campo. Assim, teremos conteúdos gerais (português, matemática, geografia, ciências etc), que todos os estudantes aprendem em qualquer lugar do Brasil e conteúdos específicos de acordo com as características regionais, locais, econômicas e culturais da comunidade onde a escola está inserida.
• Resgate histórico da pessoa, família e comunidade;
• Estudo sobre a cultura e relações étnico raciais;
• Questões do trabalho e sustentabilidade a partir da produção campesina;
• Política públicas para o campo;
• Legislação brasileira sobre o ensino;
• Alimentação e soberania alimentar a partir dos princípios da agroecologia;
• Moradia e Transporte;
• História do campisenato;
• Organizações sociais: seu papel e importância;
• Brincadeiras, danças e outras manifestações populares no estudo de disciplinas afins;
• Cidadania X democracia;
• Elementos do meio ambiente;
• Técnicas agrícolas, Fauna e flora;
• Captação de recursos hídricos; /
8. GESTÃO DA ESCOLA DO CAMPO
Os pais, as mães, a comunidade e os movimentos sociais têm o direito assegurado de participar da discussão do funcionamento da escola, na proposta pedagógica e na discussão do uso dos recursos financeiros e a sua aplicação. Para isso, existe alguns mecanismos já conhecidos pela comunidade:
• Conselho municipal de educação;
• Conselho escolar;
• Unidade executora;
• Conselho da merenda;
• Conferências de educação;
• Elaboração e efetivação do Plano Municipal de Educação – PME. /
9. AVALIAÇÃO
Em um processo avaliativo é preciso ir além de uma avaliação de conteúdos, mas sim trabalhar atitudes e valores, e fundamentalmente o desenvolvimento da pessoa humana. Além de questões importantes que estão ao alcance de todos como:
• Avaliar a partir do processo formativo e não eliminatório;
• Dispor de instrumentos orientadores pela SEE;
• Orientar os alunos para realização de projetos de intervenção na comunidade;
• Auto-avaliação do aluno.
10. ONDE A EDUCAÇÃO DO CAMPO JÁ ACONTECE? /
Nos municípios de Ouro Branco, Pão de Açúcar, Estrela de Alagoas e Igaci pode-se constatar uma prática de educação do campo bastante efetiva, apesar de ainda estarem num processo de aprendizado, mas podem apresentar resultados bastante significantes em relação ao processo de ensino aprendizagem x desenvolvimento sustentável.
11. QUE RESULTADOS SÃO EVIDENCIADOS?/
• Alunos pesquisando e compreendendo fatores sócias que interferem no cotidiano de sua comunidade, seu município, seu Estado e seu País;
• Comunidade refletindo sobre as problemáticas socioeconômicas e culturais de sua comunidade;
• Parcerias constituídas com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável local a partir da educação;
• Políticas voltadas para a formação de professores do campo;/
12. ORGANIZAÇÃOES QUE SE MOBILIZAM PELA EDUCAÇÃO DO CAMPO EM ALAGOAS
a. Fórum Estadual Permanente de Educação do Campo – FEPEC;
b. Gerência Estadual de Educação do Campo – GEDUC;
c. Rede de Educação Contextualizada do Agreste e Semi-Árido – RECASA;
d. Colegiado Desenvolvimento Territorial – CODETER;
e. Secretaria de Desenvolvimento Territorial – SDT;
f. Federação dos Trabalhadores da Agricultura – FETAG;
g. Cáritas Diocesana;
13. EDUCAÇÃO DO CAMPO X ESCOLA ATIVA/
A precariedade da escola oferecida às populações do campo de apresentam de forma mais visível nas escolas com classes multisseriadas, uma vez que estas constituem a maioria das escolas do campo. O censo escolar 2006 apontou a existência de cerca de 50 mil estabelecimentos de ensino nas áreas rurais com organização exclusivamente multisseriada, com matrícula superior a 1 milhão de estudantes, configurando uma urgente necessidade de apoio técnico e financeiro por parte da união do estado.
A implementação da estratégia metodológica Escola Ativa no Brasil ocorreu no ano de 1997, com assistência técnica e financeira do Projeto Nordeste/ MEC, tendo como objetivo aumentar o nível de aprendizagem dos educandos.
A Escola Ativa, então, a partir de 1999 passou a fazer parte das ações do Programa FUNDESCOLA/
14. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ALAGOAS. Caderno Temático I – Referencial Pedagógico para as Escolas do Campo de Alagoas. Secretaria Executiva de Educação. Coordenadoria de Educação. Programa de Ensino Fundamental. Projeto de Educação Rural. Maceió, 2006.
ALAGOAS – Plano Estadual de Educação – 2006
Brasil – LDB – Lei de Diretrizes e Bases da educação 9.394/96;
Brasil - Plano Nacional de Educação. Proposta do Executivo ao Congresso Nacional MEC/INEP, 1998.
Brasil. Ministério da educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Projeto Base – Brasília: SECAD/ME, 2008
Caderno Multidisciplinar – Educação e Contexto do Semi-árido brasileiro. V. 2 ( 2006 ) Juazeiro: Selo Editorial RESAB, 2006.
Diretrizes Operacionais para educação Básica no Campo. Resolução N.1. Abril/2002
Educação para a convivência com o semi-árido: reencantando a educação com base nas experiências de Canudos, Uauá e Curaçá/organização Ivania Paula Freitas de Souza, Edmerson dos Santos Reis – São Paulo: Peirópoilis, 2003
Escola rural: uma experiência uma proposta. / Francisca Maria Carneiro Baptista e Naidison Quintella Baptista (organizadores), - Feira de Santana (Ba): MOC/ UEFS/Prefeituras Municipais de Feira de Retirolândia, santa Luz, Santo Estevão e Valente, 1999.
Moura, Abdalaziz de, 1942 – Princípios e fundamentos da proposta educacional de apoio ao desenvolvimento sustentável – PEADS: uma proposta quem revoluciona o papel da escola diante das pessoas, da sociedade e do mundo / Abdalaziz de Moura – Glória de Goitá, PE: Serviço de Tecnologia Alternativa, 2003.
Este material gerou muitas discussões envolvendo os participantes pois tudo que era tratado tinha coerência com as práticas vivenciadas em suas escolas..
Teve-se um intervalo para almoço e retornando às atividades os participantes dividiram-se em 04 grupos para aprofundar os estudo em 04 temas específicos:
• Currículo Contextualizado
• Recursos Didáticos e Pedagógicos para Educação Contextualizada e do Campo
• Avaliação na Educação Contextualizada e do Campo
• Gestão e Planejamento na Educação Contextualizada
Para provocar o debate no grupo foram sugeridas 04 perguntas orientadoras:
1. O que o grupo compreendeu a partir deste estudo?
2. O que este material faz referência às praticas já realizadas em sua escola?
3. O que este texto pode contribuir para prática pedagógica da equipe de sua escola?
4. Como o grupo compreende a Educação do Campo e Contextualizada como um processo de Desenvolvimento Sustentável Local?
Após o estudo em grupo os participantes fizeram suas apresentações e houve uma inteiração com os demais participantes a partir de cada tema discutido.
Resultado dos trabalhos em grupo:
Grupo 01:
• Reorganização curricular que contemple a realidade do município. A realidade das comunidades como prática pedagógica;
• Criação efetiva dos conselhos
• Para que os pais possam participar da vida da escola
• Formação dos professores em educação do campo
• Fazer juntos, sem imposição e em parceria com a escola ativa e com os materiais da RESAB./
Grupo 02:
• Valorização do conhecimento sobre o campo: professor, aluno e comunidade
• Valorizar os conhecimentos do homem do campo. Esses conhecimentos que eles descobriram observando, e a ciência do saber daquilo que o homem do campo já sabe na prática.
• Existe um começo, trabalhamos com projetos, como o meio ambiente em que vivemos, o folclore, as festas juninas, entre outros. Mas ainda tem muito a ser feito.
• Valorizar o crescimento profissional e pessoal da equipe
• Valorização e conscientização do agricultor, levando em conta a importância de seu crescimento./
Grupo 03:
Entendemos que é necessário que o educador deve ir além dos conteúdos trabalhados, incluindo atitudes e valores, o desenvolvimento da pessoa humana,levar o educando a produzir conhecimentos, criando e formando opiniões, investigando a realidade.
Só a nossa sensibilidade pode detectar as potencialidades e limitações do aluno. Provocar o aluno a aprender. O professor deve também se auto-avaliar./
Grupo 04:
A pesquisa é apontada como um instrumento para elaboração e reelaboração do pensamento e raciocínio, sem esse instrumento fica uma cópia da cópia.
Com a finalização das trabalhos os participantes fizeram a avaliação individual totalizando 36 avaliações onde obteve-se o seguinte resultado /
AVALIAÇÃO TÉCNICA:
Durante a realização do seminário foi possível observar que tudo parecia novo para os participantes que interagiram não de uma forma muito satisfatória mais coerente com a situação, já que era o primeiro momento de contato com esta nova temática. A secretaria de educação pareceu estar segura de que realmente deseja adotar a proposta, mas que precisa de ajuda, pois não tem experiência na área, para isso deixou expresso o desejo de continuar a parceria com a Cáritas através do Projeto Raízes.
Em fim, concluímos que vale a pena continuar investindo e quem dera que em outros municípios tivesse parceiros que provocassem a implantação desta proposta nas redes de ensino, mas é preciso ter cuidado para não deixar cair no esquecimento e depois então retomar, faz-se necessário continuar urgentemente investindo na formação continuada para esses educadores participantes dando condições para que os mesmos sintam-se motivados a desenvolver a proposta em suas escolas.
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